Separação

“Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava”

– Oswaldo Montenegro –

separação

Chegamos aqui, esse lugar tão conhecido meu e agora, num cenário tão novo… A despeito de minhas milhares de tentativas de mudança, de tipos diferentes, algumas até completamente impensáveis até outro dia. Apostei alto (como sempre faço), apostei tudo. Sim, eu sei que essa não foi uma estrada de mão única, me apeguei loucamente ao sonho encantado que você me prometia. O faz de conta que existe…Faz de conta que é possível alguém suprir esse buraco negro de carência. Aguentar meus altos e baixos, bobagens, alegrias simples, essa vontade enorme de ficar sossegada e ao mesmo tempo tão intensa. Faz de conta que era de verdade, ter carinhos e afetos mesmo quando não merecia, por estar trabalhada no “modo dragão”, agressiva-defensiva, com dor e raiva por todo desamor vivido e que nada, nada tinha a ver com você.

Você…essa criatura que eu vi distanciar-se do próprio mundo particular para aportar inteiramente no meu e, que por um tempo de respeito, sequer demonstrava saudade da vida passada. O meu buraco negro de carência, entendeu aquilo como manifestação de amor e me deixou cega ao que era, obviamente fuga e carência sua. Você que me fantasiou rainha, poderosa e forte (desconfio que minha fantasia de dominatrix foi o que te instigou), você que se esforçou e cresceu para me agradar, provavelmente mentindo pra si mesmo, mas fez. Você, cujo excesso de promessas encantadas e carinhos constantes me assustava loucamente, você que parecia ter uma paciência forjada na alma, completamente nova pra mim (e que eu descobriria ser apenas preguiça de mudança). Você, tão apegado a sua fantasia de mim, que me convenceu, sem saber, que poderia “dar certo”, que poderia ser por mais tempo do que os outros romances de fachada, terminados ao primeiro ou segundo rabo-de-saia novo que passou rebolando, você que me fez baixar muralhas de defesa e raiva para aceitar a possibilidade de um amor tranquilo.

Ah ilusão!! Que piada barata e tosca, essa. De mãos dadas com a vida, me trouxe de bandeja meu pior medo, um pesadelo inteirinho vivido de forma arrastada, sofrida e inconstante…Sabendo dessa minha tendência de ser árvore e fincar raízes onde houver sossego e amorosidade, trouxe-me a fantasia embrulhada em pseudo-realidade e, pra não variar, puxou meu tapete na crista da onda, quando cada célula minha já acreditava no sonho realizado.

Dá pra gargalhar entre as lágrimas que caem, não mais de dor, não mais pela perda (que não há), mas por mais um sonho em ruínas. E vamos lá, seguir em frente, ver qual o próximo capítulo que me espera. Ansiando sem querer, voltar ao meu porto já não tão seguro assim, mas ainda meu. Respirando fundo para não mendigar afetos tão necessários ao momento, calando atrás do sorriso qualquer espécie de mágoa profunda. Tentando, enquanto ainda há tempo, partilhar minimamente do teu mundo de fantasia, onde agora habitam outros personagens e eu, passo a ser apenas parte da mobília. Sem importância, sem apego, sem carinho, sem toque inesperado e sem nenhuma palavra de amor. Apenas uso, tolerância por conveniência e algum esparso fingimento.

É…”a minha insanidade é tudo que me resta”, mas a despeito de tanta coisa torpe, sigo de pé, nariz ao sol e eventualmente, alguma gargalhada ácida. Estou de saída, e saio melhor do que entrei.

Ao menos uma vez.

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