Amor e outras Drogas

Com a proximidade do dia dos namorados, é quase impossível para uma apaixonada convicta não questionar temas como amor e relacionamentos em geral.

Esta semana, em voga, namorados de aluguel, solteiros se juntando para comemorar juntos o tal dia e um texto delicioso questionando a importância de se ter um namorado nessa data, já que no dia do índio não comemoramos com um índio ao lado, nem passamos o dia da árvore abraçados com uma… faz sentido!

Enfim… engrossando a fila dos que falam do assunto, cá estou.

É sabido que sou favorável a paixões incandescentes; sou dessas que não dispensam um coração acelerado, uma boa história cheia de senãos e poréns, dessas mulheres que, apesar de qualquer coisa, acreditam muitíssimo nos romances, nos amores, nos relacionamentos… Porém, é fato que, cada dia mais, estou convencida de que atualmente o amor é utilizado como qualquer outra droga disponível no mercado (lícito ou negro).

Na prática, funciona como qualquer vício, basta perceber: no começo, a gente conhece a pessoa e vai curtindo, aos poucos, de leve… sorrisos, leveza, afinidades, diferenças: tudo parece tão providencialmente encaixado…

Você fica com a criatura por duas horas, pensa nela por 5 minutos e esquece por 3 horas ou até a próxima ligação sem grandes ansiedades, tudo muito natural e tranquilo… Porém, basta uma certa constância, encontros, mais daquele bem-estar e… você agora olha para o telefone e se pergunta por que ele ainda não tocou, fica ansiosa até ver aquela mensagem… nossa! O coração acelera, um sorriso enorme ilumina o rosto e podem até xingar, que nada te tira a alegria, pois você está levemente anestesiada.

Nesse estágio, você pensa na pessoa por 3 horas e esquece por 5 minutos… O tempo passa, vocês se entendem, se desentendem e o relacionamento parece ser parte de você desde sempre… Agora, você nem percebe, mas já abre mão de várias coisas que julgava imprescindíveis para que a relação seja boa para os dois e não haja conflitos.

Um lindo dia, algo dá errado, vocês se desentendem seriamente e não mais podem estar juntos. Pronto! Inicia-se o seu inferno astral, fora de aniversário. Seu mundo cai, você se desconhece, já não se lembra do que curtia fazer quando a pessoa não existia. Parece que vai morrer asfixiada só de pensar que a pessoa nunca mais voltará, daria facilmente 2 minutos de vida para tê-la ao lado, para que tudo voltasse a estar bem e em paz e vocês se amassem em perfeita sintonia.

A sensação é de morte em plena vida: a alegria dá lugar a um desespero tal que saídas como reza forte, bebedeiras e remédios para dormir são sempre muito comuns, além, é claro, de um ou outro eventual ouvido amigo… Deprimido e triste, você não pensa em mais nada além da outra pessoa e da falta que ela faz.

Quem já terminou um relacionamento em que estivesse muitíssimo apaixonado sabe do que estou falando. A descrição é idêntica ao uso (e falta) de
drogas viciantes… Penso que, talvez por isso, por toda a química envolvida no processo de “amar”, as pessoas estejam tão mais rapidinhas nas trocas de parceiros, afinal, deve ser mais interessante trocar rápido de vício (ou usar outro paralelo) a investir no que já se tem.

Não importa, afinal, é apenas uma reflexão…

Porque amor é vício, desamor é precipício e somos todos seres viciantes… Humanamente viciadinhos nessa deliciosa arte que é amar.

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Um comentário em “Amor e outras Drogas

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