Gente ou cachorro vira-lata?

Em tempos de correria, redes sociais, informações excessivas, mentiras excessivas e, ao que me parece, excessivo desamor também, um questionamento anda frequentando meu lounge particular com grande frequência: estamos nos acostumando a viver nossa sexualidade como bichinhos primitivos e deixando a seleção e os sentimentos em segundo plano?

Nem pensem que venho aqui comentar sobre o desamor romântico. Apesar de acreditar que esse também anda escasso, venho comentar dos amores simples, dos autoamores e até dos “amores sexuais” (se é que isso existe).

Anda me chamando a atenção a rapidez com que a raça humana troca de parceiros sexuais ou amorosos, isso quando chega a trocar, porque, ultimamente, o que mais se vê é uma nova versão de Sodoma e Gomorra, em que todos usufruem de parceiros variados ao mesmo tempo.

Ao contrário do que possa parecer, não estou aqui para levantar a bandeira da “pseudo – moralidade” e sim, manifestar uma curiosidade quase sociológica, já que conheço montes de pessoas de ambos os sexos que dizem querer um relacionamento “convencional” com valores como fidelidade, amor, cumplicidade e companheirismo, mas, no entanto, muitas dessas mesmas pessoas fazem parte de triângulos, quartetos ou octógonos “amorosos”.

Alguns curtem aos montes as casas de suíngue ou suas similares, outros não são favoráveis, mas vivem romances tórridos iniciados normalmente virtualmente, mas, numa questão de oportunidade pulam para a vida real, para dar um “quê de paixão” aos dias. Pergunto-me onde vão parar nessas horas a tal fidelidade, a cumplicidade, o companheirismo e blá, blá, blá…

Sexo é bom e todo mundo gosta. Fato. Então é isso? Essa e a tal “liberdade” são as justificativas para que nós, seres humanos, em tese pensantes, estejamos tendo uma vida sexual cada vez mais parecida com a de qualquer cachorro vira-lata, instintivo, que transita por aí?

Nenhum tipo de conceito antiquado do tipo “meu corpo é meu templo” ou coisa que o valha… Vamos acumulando o máximo possível de parceiros por aí, afinal, “sexo é vida” e “amor vem depois”, e vai saber se o tal amor não é, no fim das contas, uma espécie de utopia…

Geração saúde, cuida do que come, não fuma, bebe moderadamente ou não bebe, malha religiosamente, cuida da beleza como se fosse um Deus, mas, quando o assunto é sexo, pode tudo: quanto mais gente, melhor?

Gente faz isso? Gente que pensa e é capaz de sentir algo a mais que a puxação de ferro da academia age assim?? É o tempo da liberação, da rapidez, da falta de caretice, da “libertação”. Libertação ou falta de seleção/critério?

Particularmente, penso que uma das muitas possibilidades é que nossa modernidade esteja usando sexo como fuga, como anestésico ilusório contra a imensa solidão que, no fim das contas, certamente habita não apenas os cachorros vira-latas, mas também os humanos que como eles se comportam…

Mas isso, meus caros, é apenas uma das minhas muitas reflexões…

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