Diferenças versus Semelhanças

Dias desses, me peguei impaciente, completamente intolerante às diferenças brutais. A impaciência era tanta que simplesmente deletei montes de leituras “desnecessárias”, conversas “vazias”, pessoas de “superfície”, inutilidades segundo o meu olhar (impaciente e arrogante).

Acontece que, por aqui, pouca coisa se faz sem trazer consigo uma reflexão, um olhar mais apurado. Resolvi conversar com meu espelho sobre as atitudes tomadas, sobre os sentimentos de impaciência e irritação que me adentravam. Percebi que ando selecionando com muito mais rigor pessoas cujas ideias, ainda que não pareçam em nada com as minhas, ao menos me encantem, me despertem. Ando me revoltando de forma quase perigosa com os “casuais”, “superficiais” e excessivamente “alegrinhos constantes”. Ando conscientemente procurando semelhanças e descartando diferenças.

Normal? Pode até ser, mas certamente nada saudável. Num tempo em que a diversidade está em voga, as diferenças são excessivamente enaltecidas, a mesmice vulgar me causa um cansaço absurdo, mas é uma bobagem ignorá-la, afinal, é o mundo real… É a rotação atual… Divergir, obrigar-se a tolerar, conviver, ler e ouvir é necessário… Será?

Eu me incomodei tanto com a minha atitude “separatista” que resolvi rever meus conceitos. É óbvio que não voltarei atrás na decisão de manter uma distância segura daquilo com que não concordo em absoluto e que nada me agrega. Por outro lado, apesar de não trazer para o meu cotidiano a superficial realidade, optei por trocar meu olhar… Percebi que também eu sou bem digna de rótulos desfavoráveis quando vista com olhares críticos e julgadores – também sou digna de “diferenças” que me tornam “deletável”.

Descendo do meu alto posto narcísico, vi-me como igual dos meus “diferentes”, percebi que, graças as nossas diferenças, construímos nossos valores, preferências, conteúdos… Fazemos história!! Num segundo olhar, cheguei a ficar grata aos diferentes e superficiais, porque me obrigam, para poder coexistir, a me reescrever, a me reinventar e até a relaxar um pouco mais, haja visto que a vida não é, também, uma séria profundidade a todo o tempo.

Independente de quaisquer coisas, somos mundanos, estamos vivos, precisamos do superficial para alavancar certas criações, para nos ajudar a levar a existência com mais leveza, com mais sossego, com mais tolerância.

O crivo que me aperta o peito limita, eventualmente, o meu olhar. E, apesar de ser um fato inquestionável que as semelhanças me atraem como mel para abelhas, fiquei mais em paz ao conseguir ampliar meus horizontes e acolher também as diferenças como forma valiosa de crescimento e existência.

E você, anda com os horizontes abertos para degustar diferenças ou ainda está, como eu, apegado às parcas semelhanças??

Vamos juntos, descobrir e, na medida do possível, aprender com as diferenças?

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