Uma Vida Inventada

“Existe uma forma nebulosa de viver

entre sonho e realidade,

que depois quase todos

perdemos.

(Exceto os artistas e os loucos).”

– Lya Luft –

Estes tempos incertos andaram corroendo, silenciosamente, minha calma, minha alma e minha paz. Lá fora, a vida virou zona. A “sociedade” generalizou e abriu o verbo: “Mulheres são culpadas! Pedem para serem estupradas”. Virou notícia e, dolorosamente, virou piada.

A Copa [do Mundo, segundo dizem] é notícia séria, alardeada. Nada sei sobre o assunto, além do fato de que – acontecer no Brasil – tornou minha existência muito mais cara. Enquanto isso, canonizam Jesuítas [precisamos, urgentemente, de milagres!]. Grandes atores conquistam o passe livre para falecer. Guerras pipocam, crianças assaltam e matam, pessoas somem e tudo, absolutamente TUDO, parece ser banal.

A vida vai escorrendo pelos dias, enquanto fingimos que dores são sentidas e, num piscar de olhos, abstraídas. O mundo não para!! Se a gente parar por tristeza, dor, doença ou covardia, o mundo atropela. Experimente dizer, numa roda de adultos, que você simplesmente não quer saber das cobranças de tempo e dinheiro… Vai ser apedrejado! Imediatamente rotulado de alienado, louco, comodista ou derrotado. Triste.

Legal é ser descolado, fazer da [sua?] vida, uma espécie de novela. Trabalhar sempre demais, ter um carro bacana, um status qualquer que seja invejado e almejado pelos coleguinhas, um estresse de estimação, beber um tanto pra esquecer ou “relaxar”, esconder as bolinhas que toma “pra não pirar”, viajar, sair, festejar tudo o tempo todo. Juro que, só de pensar nisso, já fico estafada.

No meio disso tudo, amargo bola nas costas, vislumbro deuses de carne, osso e sorrisos minuciosamente talhados pela máscara da fantasia.

Nesse solitário brinquedo de existir, alternamos trabalho duro com euforia cintilante.

Vamos trocando interpretações próprias por citações aos montes. Fast-food, papagaios, balas, bombas, barulho, balbúrdia, amores de ocasião. Lutamos alegres, sem tempo pra viver. Sorriso estampado, enquanto o outro sangra, sente fome, mas tira foto. Tudo escondido nas entrelinhas das fatalidades e dos acasos.

Indagar é um desafio permanente. Encontrar tempo pra SER também é.

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