Desdobramentos Mentais

“A gente atrai
aquilo que transmite.”

– Desconheço autoria, mas boto fé –

Fui ali, fazer o que todos nós fazemos: viver. O causo é que, definitivamente, cada dia mais e mais, ouço pessoas que, como eu, não sabem onde foram parar seus dias, o que fizeram com suas horas… Em comum, trazemos o cansaço físico, mental e emocional. Cansaço físico tem lá sua alegria de existir, afinal, é também para cansar o corpo que milhares de pessoas frequentam academias. Já o cansaço mental provoca uma confusão desenfreada, de ideias, de objetividade e de concentração [que vai pro espaço]. O cansaço emocional, bom… esse tem tantas nuances e é tão absurdamente dolorido, que até dá vontade de deixá-lo embaixo do tapete… uma tentativa tão vã quanto alucinada de manter a emoção cativa, ali…escondidinha… vez em quando, fazendo nela um carinho disfarçado, como quem acarinha o cão de guarda, numa tremenda fé de que ele não vá mordê-lo e arrancar um pedaço de você.

Tempos corridos, tempos idos, futuros, oblíquos, marginais. Vendemos nosso tempo, perdemo-nos entre os holofotes imaginários, cedemos aos impulsos magnéticos do cérebro que aumenta nossas compulsões. Não vemos nada disso. Ouvimos falar que o mundo morre de cancêr, que executivos, advogados e estudantes se entopem de ritalina para produzir mais, para não sucumbir ao cansaço ou à desconcentração gerada pelo excesso de informação por todos os lados. Não sei como você se sente, mas eu, sempre que estou em eventos sociais, tenho a sensação gritante de estar participando de uma peça de teatro. Fantoches da vida real. Tudo isso me dá um certo arrepio agourento…

Viram como, em dois parágrafos, já consegui divagar por toda sorte de assunto? Pois então, meu amigo, é disso que falo! Desse aceleramento meio desvairado – muito produtivo, em que, entre nervosismos e risos, vamos levando nossas mentes, nossos corpos… cada vez mais talhados para virar máquinas. Como nem tudo é maledicência e derrota, há o lado bom dessa bagunça toda. Acredita-se que, em breve, o ser humano será capaz de dominar suas emoções (deve ser para isso que servem todos os remedinhos inventados para fins psicoterápicos… será?), o que inclui uma reprogramação do cérebro, para entender a dor como simples sinal do corpo e não mais sofrer por senti-la. Fenomenal!!

Estamos avançando a passos largos e, quanto mais rápido isso ocorre, mais medo, ansiedade, dor e estresse são causados e, vai-se dando a tão famosa lei de Darwin: a seleção natural. Muitos ficarão pelo caminho, arrasados pelos “males do mundo”. Avante!! É preciso progredir, aumentar, ultrapassar barreiras…Enquanto isso, vamos aproveitar nossas pequenas e maravilhosas emoções… ter prazer ao abraçar um amigo que se ama, rir com o riso da criança, amar nossos animais como se fossem parte integrante de nosso próprio corpo. AMAR… é uma emoção, lembram?

Passo ao largo de ser uma espécie de monge budista, cujos ensinamentos devam ser levados em conta, mas, vez em quando, tenho medo de virar um desenho animado e explodir como um vulcão, em trilhões de pedacinhos vermelhos espalhados pelo ar, de tanto que as emoções me invadem e ficam lá… ecoando seus burburinhos, conversando sobre milhões de assuntos, apontando mil caminhos, numa conversa interna e ininterrupta… São os excessos que me afogam, mas que também me tornam a boa amiga, a humana afetuosa. Duas faces da mesma moeda, talhada no excesso de viver. Gostaria de ver a humanidade espargir afeto e alegria, como já fazem os golfinhos, tratando seu coletivo com respeito e alguma delicadeza, desarmada de atitudes defensivas de guerrilhas emocionais tão desnecessárias. Mesmo sem ser um monge tibetano ou candidata à miss universo, gostaria que a humanidade pudesse trabalhar em prol do afeto.

Faça amor, não faça guerra. Faça arte ao invés de perder tempo agredindo o coleguinha. Agrida-se menos, permita-se ser amigo do seu tempo, leia, pinte o sete, o oito, cante para espantar os males e perceba, nos detalhes, onde se escondeu o tempo que a gente não viu.

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4 comentários em “Desdobramentos Mentais

  1. Cláudia, temos em comum essa sensação de deslocamento nos tais eventos sociais e essa sensação de não saber o que foi feito das minhas horas… e mais algumas coisinhas, eu desconfio…
    parece que hoje, pelo menos, parte das minhas horas estão bem empregadas… aqui…

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    1. Aurea, sempre me encontro nas suas letras, acredito que seu “tom” encaixa naturalmente na realidade que enxergo e isso é simplesmente redentor. Obrigada por comentar, por me contar que, por mais que eu me sinta, não sou o único patinho no meio dos cisnes, obrigada por me contar que talvez, os cisnes, sejamos nós. Você nem imagina o quanto é bom ler você por aqui também. 😉

      Curtido por 1 pessoa

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