De trás pra frente

Silêncios

Até ontem, eu tinha vontade de continuar acreditando nas mesmas coisas de antes, enaltecendo as belezas, as delícias, as gostosuras do tempo, da vida, das pessoas que existiam pra mim.

Dentro da bipolaridade usual do ser humano e da minha, em particular, havia dias de esquecer e dias de querer mais. E seguia querendo… Não desejava “mais do mesmo” nem queria como ontem, apenas desejava a sobra do que havia tido outrora… Talvez algum carinho, uma atenção, uma bobagem solta da pessoa que já esteve tão perto, tipo dentro… Até ontem…

Hoje, depois de tantas palavras, insitências, críticas… acordei cansada. Sem nenhuma energia para te querer mais ou menos. Na verdade, hoje, a simples lembrança das coisas me desdobra, desvia o pensamento que planejava nem passar mais perto de ti.

Claro que preferia a poesia, a inspiração, a doçura da vida e do olhar de antes… Mas não aguento mais olhar para trás, ver tanto passado… Legal ou não, já foi, passou… Não preenche, não esquenta, não inspira. Cansa!

Hoje, acordei com vontade de café e de dormir. Hoje, preferia não lembrar da existência do passado, de pessoas que escolheram ficar lá, perdidas no limbo do espaço-tempo da vivência que não transmutou para a positividade, para a amizade, para o amor da beleza fraternal.

Hoje, acordei preguiçosa de gente que olha e não sente, que enxerga apenas com filtro do juízo, do julgamento… Hoje acordei com preguiça de não-amor, de juízes racionais, de bobagens sociais e vazias.

Hoje, não quero mais saber do que houve ontem, dos enganos tolos que cometi, das bobagens sérias que sempre preferi não ver… Sim, vivi de ilusões, uso óculos multicoloridos para a vida, na vã tentativa de acalentar meu coração preto e branco, em que tudo é tão óbvio, tão certo ou estranho, que me choca quando os outros vêem de outros jeitos.

Sim…eu gosto mesmo de pintar realidades, de embelezar mundos… Até ontem, nem me lembrava disso…

Ainda hoje, não quero enterrar pessoas vivas, não quero dar ADEUS a ninguém, mas prefiro não lembrar das ervas daninhas do meu ser. Nunca lidei bem com críticas e, por isso, hoje decidi apenas adormecer certas existências que não me nutrem a vida, que não me dão a mão, que não trocam suas belezas, porque estão ocupadas em julgar ou ver apenas a feiúra dos acontecimentos.

Hoje, fiz uma escolha… Vou tomar meu café, ler, escrever, trabalhar o dia e o coração para adormecer a solidão e, assim, deixar sair de mim o veneno de quem me diz que não sou feliz…

Até ontem, eu te ouvia a voz… Hoje, apenas te adormeço a existência…

Boa noite, amor.

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