Chamado de amor: Mãe

Uma tarde como qualquer outra, e, do nada, vem o chamado: Mãe.

Só isso, simples chamamento corriqueiro e natural. Não pra mim. A vida me tirou essa alegria, quase nunca nos últimos onze anos pude ouvir ou ler essa palavra, embora tenha dado vida a outro ser: Filha…

São duas palavras simples, pensarão… Dada a minha paixão pela língua, palavras são fortes veículos de vínculos que, apesar das inconstâncias e desencontros da vida, permanecem valiosos à minha alma.

Já fechei meu coração dezenas, centenas de vezes pro sentimento maternal, pela rejeição. Lidar com isso? Não… Fechei-me aparente, para evitar tristezas, pra seguir sorrindo, pra seguir vivendo, pra seguir amando. E assim fiz. Segui Mãe… não no dia-a-dia, não em todas as horas de vida da cria amada, mas muito, sempre viva,

Mãe, no meu coração, no sentimento de querer bem, de deixá-la optar pela vida, por dar-lhe o respeito de ser. Toda mãe de verdade sabe, dentro de si, que não há maior dor do que ver a cria partir.

Minha cria partiu, levou consigo uma parte importante de mim. Levou minha capacidade de amar desmesuradamente, guardou consigo, mesmo sem saber, a melhor parte de mim, passei a ser metade, mas aprendi viver assim… É quase uma ironia que, em determinados momentos, eu sinta tão aceso um sentimento. O coração para, a respiração fica suspensa e o mundo muda de cor.

Por instantes, enquanto leio, degusto o chamado, cada letra dizendo tanto, me dizendo “aceita”…

Mãe… Ela me chama. Não é na minha presença, é virtual, é uma migalha, mas tão grandiosa… Posso ter receio de me habituar com migalhas de um amor que sinto tão inteiro, tão intenso, mas na verdade, meu mundo muda, tem outra rotação, bastam três simples e ricas letras, cujo significado é maior que tudo, indescritível, imensurável, gigantesco.

Mãe… não há filho, não há vida, não há nada sem essa pessoa, por mais que seja rejeitada, ninguém existiria se não houvesse ela.

Cria, filha, amada, Amanda… hoje, meu sorriso foi largo e lágrimas mais salgadas… Mãe, de verdade,está aqui, a esperar sua palavra, sua existência, sua alegria.

Mãe… te espera, filha minha.

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