Aquilo que se diz…

“…Somos nós

nosso vazio e nossas marcas.

aquele chorou rios

ela sofreu horrores…”

– Kleber Bordinhão –

A dinâmica é simples. A criatura tem boca e quer falar. Não se importa nem um pouco, se a palavra dita vai machucar quem ouve. Dane-se. Algumas vezes de propósito, outras sem querer [tantas vezes duvido disso…], são palavras descuidadas, jogadas ao vento e ao outro como safanões a esmo. Distribuem gracejos irônicos, comentários desagradáveis, opiniões que não foram pedidas. Fala o que quer e sai por aí, se achando a criatura mais legal-dona da verdade-sincera e ainda dá risinhos se alguém lhe chama a atenção. Deve achar muito engraçado ser desagradável com o outro, afinal, a dor é dele…

Trago enfronhada na pele, uma mania horrorosa de perceber. Percebo palavras ditas com olhares e, infelizmente, ouço com atenção indevida os comentários deselegantes. Não a toa, fui ficando mais introspectiva, silenciosa. Dói em mim, palavras que não pedi, cheias de veneno e babaquice, aquelas que ninguém quer pra si ou para os seus, mas que acha “muito legal” despejar nos outros.

Juro que não percebo sentido nisso. Violência gratuita? Vontade de fazer o outro sentir-se um merda para que você [locutor cretino] possa se sentir um pouco melhor no seu mundo perfeito e muito dentro dos padrões esperados? Não sei. Desconheço resposta para essa pergunta que nem devia existir, tamanha a dor que pode causar. Não sei se sinto mais pelos que se doem e não conseguem disfarçar ou se por aqueles que, cansados de ser objeto do veneno alheio, já se auto sacaneiam e concordam com os agressores. Complicado e nada perfeitinho, deve ser ruim demais ser portador de palavras que ofendem com sorriso. Sem medo de retaliações, desejo muito mal a quem usa da palavra para esfaquear o outro. Sem pudor, sem pensar. Desejo dores lentas e contínuas, regadas a palavrórios pseudo-engraçadinhos para servir de chicote enquanto sua dor cozinha em fogo brando. Isso, meu caro, deve ser o inferno de quem ouve.

Se tem boca, é pra falar? Que tal usar a porcaria dos neurônios pra pensar? Só pra variar a brincadeira…mas isso deve doer, né? Afinal, imagina a droga que deve ser pensar no próprio rabo antes de achincalhar o coleguinha. Tente silenciar quando não tiver nada de bom pra dizer, provavelmente, vai sentir medo de ficar mudo para todo o sempre. Amém.

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4 comentários em “Aquilo que se diz…

  1. Claudinha, você, como sempre, tocando, delicadamente, na ferida. Eu também andei condoída, uns tempos, com a grosseria verbal alheia. Gente que se pretende acima dos mortais, que acha estiloso ser grosseiro, que destila veneno em meias palavras… enfim, sabe o que faço? imagino a pessoa sentada no vaso, concentrada na mais básica das necessidades fisiológicas, que nos iguala a todos (é melhor do que imaginar a pessoa morta, situação que também nos equipara).

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    1. Aurea, queridona, eu gosto de um bom e belo foda-se mental, mas quando isso não é suficiente para me aliviar da grosseria alheia, um MORRA, dito de boca cheia, sempre me faz transformar em riso, o que era raiva. Alívios momentâneos, muito bem vindos.
      Obrigada pela visita, leitura e troca.

      Beijocas!

      Curtido por 1 pessoa

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