Entre enlouquecer e existir

 autoconhecimento

Por anos a fio, as emoções à flor da pele. Tudo foi exagero e  até o vazio dos dias era grito. Por dias intermináveis, pessoalizei tudo que vivi [possivelmente ainda o faça], fervilhei sentimentalidades e não enxerguei nada que não tivesse fundamento emocional.

Hoje, essa é minha definição pessoal de loucura. Esse som interno que não descansa e consome a pessoa de forma que ela, aparentemente muito lúcida e pseudo normal, tenha os entendimentos vendados para as coisas práticas da vida corriqueira. Absolutamente tudo gira em torno das emoções e isso, meus caros leitores, não é uma hipérbole e tampouco uma licença poética para o exagero.

Tento lembrar, sem sucesso, quando isso começou…Não sei. Lembro apenas de quando começou a doer. Lembro do medo de não mais ter controle sobre minhas escolhas. O começo do fim…

Alguns entendidos da psiquê humana, suas mazelas, abandonos e gatilhos, dirão que era um chicote pessoal, uma forma de punição pelas culpas infiltradas no inconsciente desde que nasci para este mundo, outros terão teses diversas…Depois de abismos sem fim, alguns abandonos, poços sem fundo, ciclos caóticos e de muito me afogar nas tais emoções, parei de questionar os porquês. Resolvi focar na mudança, perceber os gatilhos que levavam ao desespero cego e evitá-los conscientemente. Resolvi pagar outros preços e mudar o rumo das coisas. Conter ansiedades, diminuir ritmos, afastar as cobranças externas que multiplicavam as minhas [que nunca foram poucas]. Respirar, fazer pausas para o chá, perceber mais o que realmente tem valor profundo. O que agrega ao ser humano e não apenas ao ego que habita e concorre com tantos outros, no intuito bobo de alimentar o poço sem fundo da vaidade momentânea.

Ainda há estrada…ainda há muito o que aprender…Creio que cada um tem seu caminho, seu desafio pessoal e, desde que o mundo existe para essa que vos escreve, sentir, sem enlouquecer, é o maior dos desafios…

 

*Este post é parte integrante do projeto Caderno de Notas – Quarta Edição, do qual participam as autoras Aurea Cristina, Claudia CostaFernanda FarturettoLunna GuedesMaria CininhaMariana Gouveia e Tatiana Kielbeman

 

Anúncios

4 comentários em “Entre enlouquecer e existir

  1. Tenho o prazer, a honra e, por que não dizer, a dádiva de fazer parte do percurso narrado por você aqui, de todo este processo, e confesso que vem sendo uma grande aprendizagem para mim também.
    Existir sem enlouquecer é para poucos e você, minha grande amiga, me ensina fundamentalmente que ser – em realidade, em sua forma maior, DE VERDADE – é mesmo para raros…
    Sou grata por te ver figurar em meio a estes seres singulares e, assim, me ajudar a crescer um pouco todos os dias.
    Te amo por isso e por tudo o mais!
    Beijo gigante!

    Curtir

    1. Ahhhh minha linda e amada amiga… Que seria de mim, se não tivesse tua mão estendida, me ajudando a reencontrar luz, em meio a tempos tão caóticos?

      Certas ajudas na vida, a gente não tem como agradecer. Sua existência é uma delas.

      Amo-te.

      Curtir

  2. Não sei minha cara, conheço-te pouco, mas do lado de cá, posso lhe assegurar que não consigo escrever sem enlouquecer e, que, diariamente, bebo do líquido a mim oferecido por Dionísio. Enlouquecer é quase sinônimo de existir. rs

    bacio

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s