Redomas

“Cuide-se

como se você fosse de ouro,

ponha-se você mesmo

de vez em quando numa redoma

e poupe-se.”

– Clarice Lispector – 

 

redoma

Podem ser de vidro, de gesso, de acrílico de papel machê, plástico ou outros tantos materiais. A minha, é feita de tijolos e concreto. Pois é, aprendi na infância, com os três porquinhos, que é o material mais resistente ao “lobo mal”.
Em tese, minha redoma deve proteger-me de monstros, ataques estranhos, balas perdidas e estranhos truculentos em geral. Devia, mas nem sempre consegue. Minha redoma até que é bonitinha e na verdade, nem é minha, é emprestada, mas me aguenta. Ouve minhas palavras sufocadas, seu teto branco me agrada, mesmo sem ter estrelas. Minha redoma não tem neve, nem verde, para alguns talvez, seja até enfadonha, não me importa. Importa que ela me acomoda, abastece e não responde aos meus lamentos. Ela não briga comigo e isso faz dela, majestosa! Essa redoma, que habito, emprestou suas paredes para meu ego narcísico e ali depositei imagens e espelho, tudo muito condizente. As redomas que usei antes, desmantelaram, ruíram. Fiquei sem chão e sem teto até que essa redoma de agora, abriu suas portas e me acolheu. Gostamos uma da outra, temos prazer em nossa companhia e, no nosso trato, cuidamos uma da outra. Eu faço com esmero, tudo que antes não sabia (e obviamente pouco fazia), para torná-la mais bela e sempre perfumada. Já minha querida redominha, nem sempre me acompanha, por vezes, permitindo que entre um monstro convidado de última hora, quando em vez, acontece.
Dia desses, divagando entre suas paredes pseudo – seguras, fui pega de surpresa pelo monstro da ansiedade. Confesso ter ficado um tanto contrariada e até meio triste, ao perceber que minha fortaleza também tinha suas rachaduras, mas logo depois, acertamos os ponteiros. Refizemos nosso acordo silencioso de cuidado e seguimos os dias. Ela, me acolhendo e eu cuidando mais. Num abraço largo e duradouro, combinamos de dar abrigo e alento, ainda que a vida traga seus intrusos e tempestades, seguimos.

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8 comentários em “Redomas

    1. Mariana, minha linda menina, aqui tem colo e sal, tem caverna e tem silêncio (as vezes), mas para descrever-te, necessitaria ter muito mais doçura e leveza. Qualidades que busco e você tem de sobra.

      Um beijo, Mari

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      1. sabe quando a gente ama e gosta, assim, de cara, como se já amasse sempre? é assim com você…amo-te de sempre e eu nem sabia disso.

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    1. Ahhhhhhhhhhhh sua linda! Você sempre me emociona com seu amor generoso, com seu olhar afetivo e bonito. E tantas, tantas vezes, você é meu abrigo e meu norte…me lembra que ainda há motivo para respirar um pouco mais…
      Com esse tanto de afeto, não há gratidão que baste.
      Você é preciosa.

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    1. Manoel, fico sempre dois tons mais feliz quando encontro seu comentário em um texto meu. É um prazer muito particular esse de trocar ideias com quem parece “pegar o espírito da escrita.”
      Obrigada pelo sua visita querida.
      Beijo,

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