Confissões de uma louca vivente – Viciada em Amor –



 
Era assim: de uma vivência inconstante, sempre pensativa, delirante e, entre suas ilusões, acreditava ter os pés afundados na areia (havia esquecido que era areia movediça). Vivia empinada, danada, demonstrava sorridente uma vida de beleza galgada do nada. Nunca na vida plantara seu destino. Era cigarra! Vivia intensamente seus verões, escondia-se a chorar nos invernos da existência e o seu tempo…ah…seu tempo passava…

Solitária convicta, sonhava que amava. Presente para os amigos, esquecera da realidade do mundo, guardada em seu castelo. Acreditava-se bela, em seu mundo amplo (que só existia dentro dela). Guardava num cofre impenetrável, suas verdades, valores  inestimáveis. Queria-se única e dupla. Desejava a parceria dos amantes passionais.

Eis que, numa das peças da vida, virou a esquina e caiu do salto. A areia que tão confortavelmente aquecia seus pés, ruiu… Viu-se tragada pela realidade escura e cruel dos olhares alheios. Aprendera a acreditar-se segura, quando sabia que, segurança era o sinônimo da ilusão passageira. Não sabia ser amada… era filha devota de Narciso e, tal como ele, viu-se tragada pela água que refletia seu rosto. Afogou-se, enquanto assistia sua mais profunda alegria desfazer-se. Fundiu-se com sua emoção refletida, perdida e desfocada ao mínimo toque na água que lhe mostrava a frágil aparência. Sucumbia…
No momento seguinte, sua ira, encobria a dor, gritava… Havia aberto sua caixa de pandora. Encontrou o que procurava e teve que encarar… Desistir ou ficar? Como a imaturidade pediu, ela gritou, chorou, explodiu em um milhão de pedacinhos e depois foi-se catar pelos cantos… Teve ajuda. Houveram toques, palavras, pedidos emocionados. Era Narcisa, mas não era a única a se desconstruir para recomeçar.
Ainda não havia entendido bem, mas eram dois, eram momentos, complementos, medos e hábitos. Tudo junto, de repente exposto pela temida caixa de pandora.

Ao fim… no ápice da dor pela morte de suas mais profundas fantasias de amor…Recomeçou.

Voltou a sonhar ser amada, pra ver se na vida real, acontecia!
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Um comentário em “Confissões de uma louca vivente – Viciada em Amor –

  1. Sempre acontece quando a gente faz por merecer…

    Intensidade e sensibilidade em alto nível, amada!

    Que seja louca, lúcida, lívida, mas o tempo todo VIVENTE!

    Que, para cada um de nós, exista recomeço.

    TE AMO!

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