Construindo Castelos para sapos, esperando que um dia sejam Reis

Tantas vezes a gente idealiza quem a gente gosta… Não apenas menospreza os defeitos, mas também super valoriza as qualidades. Quando a conversa flui, sentimos tesão e ainda temos afinidades, pronto: todas as luzes de “é ele” piscam freneticamente e a gente se deixa levar pela pessoa que nós criamos na nossa cabeça. E aí começa a derrocada, porque a gente viaja na fantasia. Cada beijo vira “o melhor”, cada transa é “a melhor” e a gente se convence de que “aquele” é “O melhor” de todos os homens que já passaram em nossas vidas. E ele, obviamente, acredita.
Tenho percebido que homem acredita tanto em elogios vazios quanto nós, mulheres. Por carência ou necessidade de elevação da estima a gente crê em toda boa palavra dita pelo partner, seja “casual” ou “fixo”. Enfim…o fato é que a gente escorrega no tobogã da alegria de uma transa bem dada, com umas afinidades bem vindas e vai olhando o outro com óculos cor de rosa…pelo menos até a primeira cena de ciúme, a primeira tentativa de tolhir um pouco a liberdade que antes corria solta porque a criatura estava “a deriva” e cheia das candidatas carentes para uma transa de fim de semana. É…são épocas de pessoas “por acaso”, fazendo valer bastante a tal “liberdade sexual” e pouco se lixando pra criar raízes e construir uma vida com a outra pessoa, com VALORES em comum… É uma questão de ótica e preferência na vida. Fato.
Às vezes é preciso deixar de lado o encantamento, a ilusão e focar no que é importante. A criatura é uma pessoa de valores parecidos com os seus? É companheiro? Se importa contigo?Está emocionalmente disponível? Enfim…coisinhas nada básicas mas que vão dizer se vocês dois realmente podem ter mais em comum pra construir na vida ou se só se “fazem super bem” quando se encontram eventualmente pra uma daquelas conversas que sempre acabam no motel pra uma calibrada sexual.
Particularmente sempre amo as pessoas da minha vida pelos seus defeitos. São eles que as fazem únicas e belíssimas aos meus olhos, mas a uns meses atrás caí no meu alter ego de mulher poderosa e auto suficiente e caí feio na cilada de transformar um garoto que vivia tendo que lustrar a própria  auto estima num homem lindo que estaria (nos meus lindos sonhos) se construindo e, claro, poderia contar com minha cumplicidade e ajuda para evoluir do quesito “virar homenzinho de verdade”. Dei de cara no meu próprio muro de ilusão e me estilhacei em mil pedaços, amargando ouvir do rapaz britadeira todo tipo de nojeira que um menino-vibrador é capaz de dizer. É o preço da ilusão… tudo bem… Juntei meus cacos, levantei meu nariz e segui em frente, lembrando que acidentes de percurso ocorrem e o namorico até me ensinou coisas sobre mim que eu desconhecia. “Valeu enquanto durou”. Será? hahaha…sei lá, mas ainda bem que passou e deu lugar a algo mais real, mais inteiro e muito melhor.
Esse blá, blá, blá todo veio porque, dia desses li um texto do Caio que é lindo e me lembrou muito essa passagem da minha vida. Quis partlhá-lo com aqueles que me lêem:
Talvez, sim, talvez eu fosse mulher, porque pensava no príncipe, a minha mão direita era a minha mão e a minha mão esquerda era a mão do príncipe, e a minha mão direita e a minha mão esquerda juntas eram nossas mãos. Apertava a mão do príncipe sem cavalo branco, sem castelo, sem espada, sem nada.
(…)
Eu não podia saber, ele não falava. E, depois, ele não veio mais. Eu dava um cavalo branco pra ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas essas coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos cocos, até com a minha carne eu construía um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria, e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo.
Caio Fernando Abreu, em O mar mais longe que eu vejo
Que em 2013 a gente se iluda o mínimo possível e viva os relacionamentos de forma mais valorosa e realista.


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