Nua em Sampa

Manhã fria de primavera
Estou arrumada pra ir embora
Despeço-me, nostálgica
Da cidade concretude
Das belezas gigantes e impessoais
E do meu coração.

Sampa…

Desta vez cheguei mais cedo,
Vim florir tuas ruas junto com a primavera
E você, sua gigante generosa,
Me recebeu com carinho
Com sorrisos, abraços afetuosos
Com a ilusão de um amor florido
Com vadias sem dó.

Ah Sampa!!

Seja quanto tempo for, eu fico
Aqui, mesmo o salto fino, não pisoteia tuas ruas.
Me enlevo, de alegria tonta
Não piso no chão, circulo em nuvens
Nessas nuvens cinzas e poluidíssimas
Dos teus muros de concreto.

Desta vez, você me invadiu tanto
Que vou-me embora carregando
Teus ares dentro de mim

Muda. Minha voz ficou aqui.

Nesta manhã fria, me despeço.
Aguardo ansiosa, retorno breve
Pros teus amores, ruas, concretos e cores.
Pra essa sua impessoal existência
Que me desafia, encanta, invade.
O coração sempre fica um pouco mais contigo,
Depois que vou me embora.

Sampa…sou apenas mais uma em tuas ruas,
Mas te suplico, assim, NUA:

Não me esquece. Preciso voltar em breve.
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3 comentários em “Nua em Sampa

  1. Impossível Sampa te esquecer, porque você já é mais que parte de tudo isso aqui… você é TODO!

    É a concretude, a base e a essência dos dias…

    Já não há passeios por Sampa sem a sua presença! Já não há cor na cidade sem o seu afeto…

    Despeça-se, mas volte muito em breve, porque Sampa precisa e quer você!!

    Curtir

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