Perfume, tempero e afeto

São meus vícios cotidianos. Sem os quais, não me reconheço.
Desde sempre fui fissurada em cheiros, tenho épocas de ter um olfato tão apurado que dá vontade de jogar o nariz fora, já que nem todos os odores são lá muito agradáveis, principalmente quando se vive num lugar quente como o Rio de Janeiro. Não ligo pra perfumes de marca, embora goste de um francês ou outro, uso sem nenhum tipo de pré – conceito, os mais “populares”, desde que seja doce, meu olfato e minha pele agradecem (embora o nariz alheio, eventualmente discorde). O apego pelos cheiros chegou mesmo, quando me dei conta que a memória olfativa é mais predominante que a memória consciente. Me sinto quase um bichinho ao pensar isso, mas é fato. Sou incapaz de lembrar o nome do meu primeiro namorado, mas lembro bem do perfume que usava. E assim fui colecionando memórias de cheiros ao invés de nomes ou eventos…

Os temperos são um caso a parte, chegaram na vida depois de bem adulta, quando, apesar de não ser lá muito interessada em culinária, percebi que adorava uns gostinhos diferentes. Aquelas coisinhas que um bando de gente abomina, eu simplesmente amo! Faz muito tempo, troquei o básico feijão com arroz por qualquer legume bem temperado com ervinhas verdes e uma boa pimentinha. Aliás…pimenta é mais que tempero, é pré – requisito pra se intitular comida. Além disso, a paixão por cravo, canela e gengibre num bom chá ou em doces de frutas. Paladar é um prazer quase sexual na minha vida… Aqui, por vezes uno os dois, o prazer do gosto com os cheiros divinos das especiarias. São a seleção natural do meu prazer gustativo.

Afeto, bom…esse é mais complexo. Sou viciadinha em afetividade por existência. Acredito piamente que a vida fica mais feliz quando conseguimos ser mais afetuosos com ela. Sim, é afetividade com a vida, pois engloba, gente e bicho, independente de gêneros. Com o tempo, infelizmente, tive problemas com minha forma amorosa de ser, percebi que dava margem a interpretações errôneas, que nem todo mundo entende que abraço, sorriso, gentileza e carinho podem ser puramente fraternos. Uma forma de agir com gratidão pela vida que se tem.

Penso que, todo ser humano deveria ter uma dose diária de abraço afetuoso, assim como tem de comida ou bebida. No fim, somos todos bichos famintos, aguardando nosso quinhão de afetos e delícias que nos saciem e anestesiem ao longo da vida.

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Um comentário em “Perfume, tempero e afeto

  1. Quanta coisa há em comum entre perfumes, temperos e afetos, querida!

    Sabe que nunca havia pensado nisso? E é a mais pura verdade!!

    Vou te confessar… Quando criança, minha mãe dizia que eu era muito dura (rígida), não sabia abraçar direito… Aos poucos, ela foi me ensinando e eu amolecendo!

    Hoje, não sei se tenho o melhor abraço do mundo, mas me sinto muito feliz quando posso agarrar alguém que amo de verdade….

    Quanto ao perfume, sempre fui doida por ele… Aliás, por eleS, pois vibro por diferentes aromas. Mas nada melhor que o perfume natural de quem adoro… esse é infalível!!

    Em relação aos temperos, antes da cirurgia bariátrica, confesso que eu era avessa a eles… Curtia mais uma comidinha sem sal – ou talvez não me achasse merecedora de algo exótico.

    Hoje, tudo mudou e eu faço questão de temperar muito bem o que como, faço e digo!!

    Enfim…. tudo isso só pra dizer que me identifiquei MEGA com seu texto…

    Um beijo no coração!

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