Escárnio da Pele

Reencontrei num pequeníssimo interlúdio de tempo
O senhor em quem deposito meus desejos.
Reencontrei o homem
Que desejo meu,
Comigo,
Em mim.
Vivi, no desencontro da distância
Noites infindas e insones
De pele queimando
Desejando mais que o corpo,
Desejando o desejo
Do senhor eleito, por mim.
Interlúdio de tempo concedido
Para sentir o cheiro,
Vislumbrar o rosto,
Sentir, mesmo com a trava das roupas
O corpo do meu desejo.
Por tantos dias sem fim
Desejei a presença,
Imaginei reencontro
Queria ouvir a voz.
Uma vez perto,
Quis as palavras
Que eram outras, de longe,
Sem elo.
Minha pele queimou sozinha
Numa vontade quase insuportável
De grudar na dele.
Mas ele,
Já havia esquecido minha pele, meu beijo, meu cheiro
O senhor dos meus desejos
Já não me desejava.
Em nossa distância,
Encontrou em si outros desejos
Que não me incluem…
Na ausência do desejo dele
Tento em vão calar a pele que me queima
Em desejos solitários.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s