Puta Vida

É na crina segura pelo homem ao lado que ela se vê:
Puta!
Sempre tão santa, reprimida, recolhida na tela da vida
Cansada.
Cada dia uma sessão de terapia, de mantras constantes
Depressiva.
Agoniza na vida, num modelo fordista de vivência
Sensata.
Realiza tarefas, é bem relacionada, disfarça o tédio
Mascarada.
Na solidão do quarto, repensa, dinheiro, status
Largada
Esquecida do riso solto, do louco, do lúdico, do sexo
Prostrada.
Repensa tudo, visita passado, olha futuro
Centrada.
A mulher encarcerada, na veste de santa perfeita
Pula janela aberta, convite da vida ao mundo lá fora.
Passeia livre, sem nome, sem passado, pela rua
Cheia.
Acorda pra vida, encontra abrigo, no riso, no amigo
Solta.
Esquecida da máscara diária, leve como brisa,
Relaxa.
Gargalha, conversa, canta a vida,
Inebria.
E se reconhece no olhar do outro, no calor da noite
Na música e na rima
Junta todas as que é: santa, louca, menina, mulher…
Falta uma.
E é na crina segura pelo homem ao lado que ela se vê:
Puta!
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2 comentários em “Puta Vida

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