Acaso desatento

Noite despretensiosa, cansada
Telefone toca, chamado,
Na tela, convite aberto,
Aceito, aguardo.
Empetecada, saio
Pra onde não esperava,
Conversa, riso,
Verso, prosa,
Poesia, troca.
Interrompida por som estridente,
Atendo contrariada, só pra ouvir,
Embasbacada,
A saudade me visitar.
A boca não cabe tanto sorriso que tem.
Convido a entrar
Vem.
Expectativa, havia convite aceito já,
Sem chance de desmarcar,
O outro não entenderia.
Pulo a janela, me ponho a brincar,
A saudade está ali
E me abraça forte,
Me acarinha face,
Corpo, vida.
Lá por dentro lembro,
Terá que ir embora a saudade,
Está na hora, meu convite aceito
Deve estar pra chegar.
Ligo e, sem demora,
Ouço chocada
O convite me esnobar,
Decidiu ir só, pra que me acompanhar?
Penso: era de se esperar…
Olho pro meu lado,
A saudade ali,
Sorridente, toda contente
Por me ver ficar.
Esqueço o convite,
O esnobe, o que não foi.
A saudade me supre a poesia
A saudade me trouxe o amor
Anárquico, sem rótulo,
Sem algema.
A saudade disse que me ama
E de tempos em tempos,
Vem me visitar.
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Um comentário em “Acaso desatento

  1. Visto a sua saudade e minha cor é sempre azul. Desnudo-me da cor que anda e de saudade fico nu… Quando leio versos assim não tenho tempo para ter saudade, pois o filme está ali, a paisagem está ali, a palavra está ali…
    Você está ali. E quem tem você, quem veste a sua saudade, de saudade não sucumbe, pois a saudade que teima só se queima com seu olhar…

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