A outra

  

  Ela anda por aí como se nada tivesse importância, soberba, convencida, ela maltrata sempre que é contrariada. Agressiva. Ela é cínica, debochada, sempre olha de cima, raramente se interessa por coisa ou pessoa que não lhe traga benefício, elogio, prazer. É pedante, arrogante, prepotente, orgulhosa. Mentirosa. É dona de uma auto-suficiência inexistente, de um andar refinado, um toque blasè estudado. Ela é montada, cheia de sorrisos plásticos, clichês prontos, língua afiada. Só anda armada. Olha espelho, nega envolvimento, só enxerga umbigo, dela, claro. Fútil e fingidamente requintada, não presta atenção a nada que não lhe diga respeito. Quer chegar antes, falar primeiro, tom suave e forte, ela convence no pacote. Trata com desdém a quem não lhe satisfaz desejos, mimada, insípida, tem conteúdo limitadíssimo. Usa de sedução pra conquistar, não para manter. Ela é a outra, sempre pronta a aparecer. Faceta inventada, tomou força na individualidade cotidiana, ganhou espaço no mundo pueril dos instáveis. Inventou-se amarga e agora existe belicosa, perigosa, destrutiva, venenosa. A outra ostenta uma maldade que por vezes contagia…
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