O Divã

É fim de semana, eu sempre na montanha russa da vida, dos sentimentos, do pensamento…me vejo parada na loja …Acabo de sair do salão, onde deixei uma pequena fortuna para aliviar as dores da minha estima baqueada e ainda sigo com aquela sensação incômoda…preciso mudar algo…Tenho uma necessidade quase exagerada de mudar algo nesse momento. Ainda não concluí se quero mudar ou quero apenas me dar presentes como forma de me acalentar o ego ferido, convenhamos…não importa! Mulher, compulsiva, em abstinência sexual e calórica, meu interior anda estimulado pelo consumo.

No salão o pensamento era crônico: deveria cortar o cabelo, deixá-lo curto, mudar essa cara…não…melhor deixar isso pro cirurgião plástico resolver…hã? como assim? Sempre amei meu rosto, essa idéia de cirurgia nunca me havia passado…será a idade conturbando meus pensamentos? É fato…ando confusa…
Voltando ao momento loja, sem no fim das contas, ter deixado que a tesoura se aproximasse dos meus cabelos, ou seja, ainda com a necessidade da tal mudança, olho e olho…sei o que quero: me livrar de coisas antigas que me enchem os olhos ao chegar no sacro-santo lar, no entanto, exagerada que só, se deixar levo a loja…lá fui eu, aluguei um pobre vendedor e claro, levo a tiracolo uma boa amiga pra me ajudar a diminuir as dúvidas. Depois de uma hora e meia de dúvida cruel, finalmente resolvo o que levar…tudo praticamente resolvido e…meus olhos se deixam levar pra um lugar aconchegante, tudo em mim se agita, a comodista e requintada; a psicóloga predileta dos amigos se acha…me encontro num DIVÃ !
Não aguento…junto tudo, preciso de coisas novas, algo que caracterize um novo momento e…Sem mais culpas ou desculpas, fecho a compra. Horas depois, encontro um amigo, não um amigo qualquer, desses que a gente rotula por cotidiano, um AMIGO, desses que são referência da vida da gente, dividimos lembranças de um tempo de aprendizados, de primeiros romances, de amizade desinteressada, amigo apesar do tempo e das mudanças. Papo vai, papo vem, conto que comprei o DIVÃ, pra minha surpresa total, meu amigo comenta: “-Jura? Você sempre falou disso!! Desde que te conheço você diz que queria um divã.-” Nesse momento, faço à Deus uma prece de agradecimento: “-Obrigada por me permitir ter pessoas assim na vida”. Entendo então, que a menina que habita em mim e anda tentando me salvar do cansaço cotidiano, havia exigido seu presente, que aliás, não entendi porque demorei tanto para dar.
Feliz pelas risadas do dia, por estar cuidando do bem estar próprio e, sobretudo, por estar cercada de pessoas que definitivamente me ajudam a me situar, fazendo análises simples, ironizando percalços da vida moderna, fazendo chacota de vivências toscas e trocando também seriedades…O desejo da menina que eu fui, se funde e realiza na menina que sou… as vivências ainda são parecidas, as primeiras vezes ainda teimam em acontecer (felizmente…), o olhar de novidade, a arte, o encontro, o desejo… Sempre tive uma necessidade de analisar, seja a mim mesma, os amigos ou simples situações.
Acredito que na vida, não existam acasos, tudo insere um motivo, uma finalidade…interessante que nesse momento, montanha russa lá no alto, looping se aproximando e a maior confusão interna instalada, eu tenha finalmente me permitido o divã...E que venham as análises!!
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