Abraço

    
O dia passou enfim…,
    Devagar, quase slow motion
    Esse era meu olhar…
    Vestida de branco, vestido, 
    Qualquer um, nem vi…
    Pareceu fazer sucesso, já que ali,
    Todos repararam, cochicharam, elogiaram…
    Desconhecidos, num lugar ermo.
    Me sinto exposta, vestida, penso exagerada…qual nada!
    Outro desconhecido se aproxima, folheio livros.
    Fala comigo, me pergunta da vida:
    Filhos, casada?
    “-Não, solitária…” – respondo tímida
    É desconhecido, nem imagina…
    Me rotula sortuda, posso comprar livros, todos, só pra mim.
    Tem razão…posso ter um mundo todo só assim.
    Não se iluda, gosto demais da vida que levo.
    Aprendi a amar minha solidão,
    Me escondo nela, faço dela meu escudo
    Felina, linda, sensual e sozinha…
    Arranho quem se aproxima sem permissão
    Quero morder quem amo, como se fosse brincadeira,
    Bruta, sensível, delicada…adoro carinho,
    Detesto desconhecidos intrometidos.
    Se eu não pedir, não se apromixe,
    Não chegue. Vejo nos seus olhos
    O que acha que finge.
    Posso te deixar entrar, mas o meu olfato não se engana
    Sei o que fará.
    Nem por isso, brincarei menos, serei menos calorosa.
    O povo hoje, na rua, aclamava: gostosa.
    E se gostosa estava, pra homens e mulheres,
    Que pena, que lástima,
    São incapazes de olhar além…
    Apenas menina, apenas mulher…
    Bicho ferido, arredio,
    Cansado do alardio superficial 
    Que devora meu coração a cada vez que usa…
  
    
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