Objetivo ou Dissimulado?

   Fosse apenas pela vontade impulsiva, juro que essa seria a primeira pergunta que eu faria aos homens que se mostram por mim interessados no campo pessoal. Ridículo é constatar que, ao perguntar isso, seria uma grossa e quase mal educada mulher. Sim, eu…eles…, pobres meninos, nunca são! Por mais grosseira que seja a aproximação do dito cujo, ele jamais se enxerga como grosseiro…imagina, logo ele, o filho educadinho da mamãe e a quem papai sempre ensinou que deveria “pegar todas” como sinônimo de ser macho de verdade. Verdade…eles nunca são grosseiros numa aproximação, são apenas estranhos.
  
    Até outro dia, euzinha, solteira, independente, incisiva, soberba e de layout aparente rotulada como “gostosa”, simplesmente fazia picardias com os tipos, masculinos ou não, que se aproximavam desejosos de uma boa noite de diversão. Cínica, me divertia horrores fazendo pouco caso da forma objetiva e nada elegante com que alguns “caçadores” se aproximavam na expectativa de uma noitada de prazer. Objetivos, grosseiros, lindos tornam-se feios; arrogantes tornam-se pequenos; desejáveis tornam-se descartados diante de tal forma de proximidade e tentativa de “abate”. Diante da total falta de finesse dos corajosos (ou vadios?) caçadores, torna-se fácil desvencilhar-se de qualquer proposta mais detalhada, porque esses rapazes, sabem detalhar, com requintes de falta de noção, o que desejam fazer tão logo estejam a sós com você, presa escolhida. Ao contrário de algumas amigas, não os vejo infantes, conheci e conheço meninos novos cuja aproximação para fins de saciar desejos é ainda muito bonita, elegante, quase romântica, apesar de atrapalhada, o que os difere muitíssimo dos adultos.
  
    Vida que segue, encontramos todo tipo de sujeitos por aí. Como mulher, sou por definição, romântica, delicada apesar de bruta, tímida apesar de sexual, reservada apesar de falastrona, assim sendo, óbvio, sonho em ter como acompanhante um ser bacana, cujo intelecto me dê tesão mental, a conversa seja boa, a convivência oscile entre o tranquilo e o apaixonado… (sim eu sei…mas sonhar não custa nada!) Foi daí que me descobri uma “presa” mais fácil para o outro tipo comum encontrado nas vitrines da vida: o dissimulado. Ao contrário do primeiro, esse não diz logo a que veio, chega com elogios, fala mansa, se duvidar tráz até flores! O dissimulado normalmente não é um super gato (esses costumam estar no hall dos objetivos, tamanha a facilidade com que conseguem seus intentos), é aquele homem que pode ser bonito, mas é mais usual, nada exuberante demais, pode ser engraçado ou inteligente, mas o fato é que vai saber conversar com você que, quando perceber… estará se perguntando quando ele vai tentar te beijar (e se vai..). Esse ser, talvez não te beije na primeira saída, por vezes ele faz o gênero tímido, vai te mandar um torpedo depois, ou fazer algum contato dizendo o quanto foi bacana estar com você naquele momento. Você vai ler e suspirar, sorrisinho de canto e… bingo! Dez pontos pro dissimulado! Ele te procura de novo e você, já curiosa sobre as intenções do moço, aceita feliz um novo encontro. Dessa vez a conversa flui mais fácil, com nuances de timidez e interesse mais explícito, inclusive do seu lado, que até ontem não seria capaz de olhar 2 vezes para aquele sujeito. Conversam sobre a vida, ideais, metas, passado…ele te contará o quanto era apaixonado pela ex, o quanto era romântico, mas, infelizmente não deu certo…ela era muito complicada (quando não era uma verdadeira megera), ele tentou o máximo…sofreu muito, mas não deu mesmo e, depois de passar um tempo sozinho tentando se refazer do amor que não deu certo, ele conheceu uma mulher que mexeu com ele…muito…(é aí que você prende a respiração e quase torce pra que ele diga seu nome) Esse é o momento: você interessada na história dele, já envolvida, esquece completamente que tudo aquilo pode ser balela…ele parece tão sincero! E aí, lá vai você, lépida e faceira, deixar a história acontecer…Entrou no enredo do moço…saem, namoram, lindos! O casal! Um belo dia, depois do segundo ou terceiro encontro, o rapaz muda um pouco, já te procura muito menos, atende seu telefonema rapidamente e a vida dele torna-se um rolo de acasos constantes, que o impedem de se encontrar com você. Mais dia menos dia, ou ele some de vez, ou você finalmente cansada de só vê-lo raramente, acorda pra vida e dá adeus. Qualquer uma das alternativas vai deixar seu coração baqueado, mas num último suspiro de romantismo ou auto-enganação, você ainda pensa: pena que não deu certo… Minha amiga…você não sabe a sorte que deu, porque no exato momento que você pensa isso, seu digníssimo dissimulado está logo ao lado contando as mesmas histórias pra uma outra desavisada que, como você, acreditará piamente nele e te achará uma bruxa por não ter cuidado direito de alguém com coração tão bom.
    
    As histórias se repetem, entre os objetivos e os dissimulados dispostos na vitrine da vida, cabe a nós, resolver quando e com qual deles nos permitiremos dançar…
      

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