Um pouco de valor. Pensamentos por aí.

  É tempo de copa do mundo, todos os canais de comunicação só falam disso, pessoas só falam disso. Parecemos zumbis atrás do mesmo e quase único assunto. Enquanto isso…
  É ano de eleição, candidatos seguem por aí com suas caras, bocas, palavras vazias e sabe-se lá quantas malinhas de dinheiro para suas campanhas, vindas também, sabe-se lá de onde…Pessoas morrem afogadas em enchentes pelo país, ficam desabrigadas, perdem seus referenciais de vida. Sim, a vida segue, tragédia tem todo dia e, desde que não lhe cause dano direto, você segue seu dia, sua vida, seu quinhão, sem olhar pro lado e tudo bem…é humano…é mesmo?
   Trago em mim uma inveja descarada dos que viveram na ditadura, que, em meados de 68 (1968 foi ontem gente!!) tinham em si o hábito de pensar, debater, lutar pelas coisas. Me admira que quem viveu esse tempo tenha dado a luz, a minha geração, tão mais medrosa, tão comandada, tão insegura. Minha geração é literalmente filha da ditadura e vive uma democracia de fachada, sem voz, sem atividade, sem brio. E não me refiro apenas a questões políticas, essas são menores, quase detalhes…refiro-me sim, a todas atitudes de vida. Alguns de nós deram a sorte de trilhar uma estrada linear, onde tudo simplesmente aconteceu como deveria, as peças da vida foram se encaixando de forma quase simples, perfeitinho. Sortudos, ganharam na mega sena da vida. Outros, andam errantes, polivalentes, querendo, ansiando uma luta que valha a pena, mas também anseiam por parceria, por companheirismo, por quem entenda sua necessidade, lhe dê a mão e junto, faça tudo acontecer…esses, Don Quixotes da vida moderna, têm seu valor entendido, enxergado, pelos sensíveis, pelos artistas, pelos que também andam, de alguma forma, questionando um pouco além da linearidade.
   Viemos pela história e caímos aqui. A modernidade do bullying, dos filhos tiranos aos quais minha geração deu a luz e alimenta com todo requinte, um pouco mais a cada dia. Nem imagino como psicólogos, pedagogos e estudiosos do comportamento humano em geral, podem falar de bullying como se fosse apenas na escola ou no trabalho, os seres que o cometem aprenderam no berço, se não o de casa, no berço da vida certamente, e apenas repetem um comportamento “familiar”. Em tempos de modernidade, é assustador a inversão (ou apenas esquecimento?) de valores e da própria humanidade. Ainda sou de um tempo que o usual era ser gentil, lembrar de alguém e ser educado não eram diferenciais, mas sim usuais, hoje, quando vemos comportamentos assim, quando não nos surpreendemos, por vezes ainda desconfiamos… (será que está querendo o que em troca?). Pequenas grandes coisas que fazem toda diferença…
    Com tantos comportamentos tortuosos, tanta insegurança, tanta desconfiança, vejo, tristemente calaram-se: as bocas, os dedos e por vezes as mentes, dos que debatem humanidade. Entristeço, recolho-me, apavoro-me…se não falamos disso, viramos coniventes e, quando esses comportamentos vierem bater na nossa porta (e cedo ou tarde virão) como faremos? Recorreremos as justiças criminais, cíveis e competentes para julgar por nós, algo que nós mesmos não combatemos, não vemos (não?) acontecer no afã de dias corridos, presos nas nossas tão importantes realidades.
     Vejo hoje, com certo pesar, a inveja sobressair a amizade, segredos não existirem em prol de maquiar uma realidade pequena, doída, feia. Sempre acreditei que aquele que ofende se sente muito menor que o ofendido, é a grandeza, o brilho, a luz alheia que o incomoda, por isso necessita da ofensa, da fofoca, do escárnio, da agressão…Na vida, há os que pensam e calam e há os que gritam porque sua ferida dói, não há motivo pra chutar o rato morto, pra elevar um fracasso, pra partilhar a vida alheia. Por questões de respeito que deveria ser óbvio, seria bom demais lembrar que a vida alheia não é sua e assim, coibir toda e qualquer palavra que não seja para exaltar qualidades, partilhar êxitos, exprimir afetos e ajudar na vida sua e do alheio.
      Só por hoje, gostaria de acreditar que outras pessoas também pensam assim, também tentam dar sua contribuição de valor a humanidade ao invés de falar do cabelo, do casamento, da estética da vida alheia…Falemos daquilo que bate a nossa porta, que pede atenção e tão levianamente ignoramos…Vamos expargir valor??

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